• Dra Cleonir M Lui Beck

Sono Infantil


Desde recém-nascido o bebê já pode dormir sozinho em quarto separado ?

Não, nos primeiros meses é aconselhável que o bebê durma sob supervisão direta dos pais, pois pode haver problemas de engasgos, vômitos ou regurgitação. Porém, nunca na cama dos pais, e sim, ao lado desta, no berço, no carrinho ou até mesmo em um “moisés”.

Várias pesquisas têm sido realizadas, a fim de se determinar qual a melhor posição para um recém nascido dormir: a posição segura, recomendada pela Academia Americana, hoje em dia, é de supinação (deitado de barriga para cima), por prevenção da morte súbita. Sendo completamente desaconselhável deixar o bebê dormir em pronação (de bruços). Existe uma relação entre a síndrome da morte súbita (SMIS) e a pronação.

SMIS - O que é ?

A SMIS - síndrome de morte infantil súbita, também conhecida como morte no berço, é alvo de muita atenção da American Academy of Pediatrics - AAP, que iniciou uma campanha de esclarecimento, inclusive nos Estados Unidos. Após a campanha, verificaram que as mortes de bebês diminuíram, o que reforçou a tese de que a posição de bruços, sobre o estômago, enquanto o bebê dorme, é um importante fator de risco.

A SMIS costuma acontecer em bebês recém-nascidos e até um ano de idade, atingindo mais meninos que meninas. Tem causa desconhecida, mas a relação entre a posição prona (de bruços) e a SMIS é muito forte para ser ignorada. Isto porque, apenas nos Estados Unidos, constatou-se que a morte de bebês caiu em 40% nos primeiros dois anos de campanha, onde as mães eram orientadas sobre como posicionar melhor seus bebês durante o sono. Os resultados colhidos pela AAP não descartam outros fatores que podem influir na SMIS, como a falta de um pré-natal adequado, mães que fumam na gravidez, o calor ou frio em excesso, bebês prematuros ou com peso abaixo do normal e gravidez em adolescentes.

Neonatologistas da Mayo Clinic, em Minnesotta, encontraram algumas evidências de que a posição ao dormir afeta a respiração, embora entendam que este pode não ser o único fator a causar a SMIS. Mas isto não deve preocupar as mães, principalmente as mães de primeira viagem, pois a SMIS não ocorre com freqüência alarmante e também não ocorre se os cuidados básicos forem tomados. As mães devem ter uma postura cuidadosa, sim, mas sem pânico, pois a tranqüilidade no ambiente é um dos fatores básicos para o desenvolvimento do bebê. Por volta dos três meses de idade, o bebê pode dormir em um quarto separado, se possível próximo ao dos pais, para que seja fácil escutar qualquer ruído produzido por ele. Pode ser útil o uso de uma “babá eletrônica” para isso. Nesta idade já é aconselhável que o bebê seja colocado no berço ainda acordado, para adormecer nele.

Qual o melhor momento para acostumá-lo a dormir só? Como “cortar” o hábito de dormir junto dos pais ? E se a criança chorar no meio da noite ?

Desde os primeiros meses, é importante que o bebê seja acostumado a pegar no sono no próprio berço. Durante a amamentação não deixá-lo dormir no colo. Quando estiver adormecendo, após ter mamado o suficiente, coloque-o no berço, para que adormeça sozinho. Se não mamou o suficiente, tente acordá-lo e ofereça mais leite e assim que estiver sonolento, leve-o para o berço. Se o bebê acordar durante a noite, será mais fácil ele pegar no sono novamente sozinho, sem a presença da mãe.

Sempre que o bebê ou a criança acordar a noite chorando ou chamando os pais, não dê muita atenção, vá até o seu quarto e o tranqüilize, sem acender a luz, não brinque ou atenda seus pedidos. Com isso, você o ajuda a diferenciar a noite como hora de dormir e que não terá a sua atenção nessa hora. A partir dos seis meses de idade, o bebê já pode passar a noite toda dormindo sem se alimentar. Alimente seu bebê antes de você deitar e se ele acordar durante a noite, conforte-o com algumas carícias ou uma fala mansinha ao invés de alimentá-lo.

Durante a madrugada, muitas vezes por cansaço, os pais acabam levando o bebê para a cama deles. Apesar de isso ser um consolo imediato e parecer ser o mais simples, acaba criando um hábito ruim para o bebê e para os pais. É comum a criança não conseguir dormir sozinha, cabe aos pais ensiná-los a dormir bem, a criar um bom hábito do sono.

Se durante a noite a criança sai da cama e vai até a cama dos pais, eles devem levá-la de volta ao seu quarto, sem brigas ou argumentações, somente com a autoridade de pais, sempre dizendo que é lá o seu lugar de dormir. Desta forma, com o tempo, a criança entenderá que essas são as regras da casa e o melhor para ela. Se souber que não será atendida, ao acordar, virará para o lado e tentará dormir sozinha.

Outra atitude essencial para as noites tranqüilas de sono de pais e crianças é a rotina. Todos precisam de rotina, principalmente os pequenos. Crie um ritual aonde o ambiente da casa vá se acalmando os poucos até que chegue a hora de colocar o pijama, escovar os dentes, contar uma história ou cantar uma canção de ninar e dormir. Também pode ser dado um banho morno, que pode ser bem relaxante antes de dormir ou uma massagem com a luz bem fraca. Evite fazer a criança dormir embalando-a, pois ao deixar de embalar, o risco dela acordar é grande. A criança deve deitar na cama e lá receber os carinhos da mãe.

A partir dos cinco meses, pode-se dar a criança um bonequinho ou bichinho que será seu companheiro na hora de dormir, chamado de “objeto de transição”, que a ajudará a se sentir mais segura. Há quem defenda que a criança deve ser colocada no berço e deixar que ela chore. A opção é polêmica. Existem métodos que prometem condicionar pais e criança em três dias, com retornos programados ao quarto. No primeiro dia, a mãe deve deixar a criança no quarto durante 15 minutos sozinha e só depois ir até ela. No segundo dia, o tempo sobe para 20 minutos e, no terceiro dia, para 30. Muitas vezes esse método pode funcionar, mas depende muito de pai e mãe estarem dispostos e concordarem entre si. Em minha opinião, deixar chorar é necessário às vezes, mas não deve ser drástico. A criança não deve associar que dormir é algo muito ruim. Muitas vezes, basta atender a criança, colocando a chupeta na boca, ou mudando-lhe de posição ou só tranqüilizando-a, sem retirá-la de sua cama.

O que costuma prejudicar o sono da criança: fome, dor, pesadelo, vontade de ir ao banheiro...? Como evitar problemas deste tipo ?

Nos primeiros meses, o bebê tem necessidade de se alimentar durante a noite, e deve ser atendido para amamentação. Se a criança é saudável e a mãe tem leite o suficiente, os períodos de sono vão aumentando gradualmente à noite a partir do segundo mês de vida.

As cólicas do bebê também são outra causa de prejuízo do sono. Elas podem variar muito em intensidade e duração, mas na maioria das vezes, não persistem além dos três meses. A partir dos seis meses, ela pode passar a noite toda dormindo, acordam, mas pegam no sono novamente. É a época que o bebê está começando a ter suas próprias opiniões, e é a sua última oportunidade de decidir onde ele deverá dormir, sem que ele dê sua opinião a respeito.

Por volta dos nove meses, pode haver uma fase em que o bebê acorde sozinho no meio da noite, mesmo depois de passado um período dormindo a noite toda. O que acontece é que nesta idade a criança começa a se dar conta da separação da mãe quando acorda (até então, ela sente que mãe e filho são um só corpo), então se lembra da mãe e sente saudade. Se ele estiver acostumado a ser embalado ou acariciado para dormir, irá querer o mesmo tratamento no meio da noite. Se ele acordar, espere cinco minutos para que ele durma sozinho, se atendê-lo, faça com pouca estimulação.

Até um ano de idade, a maturação do sistema nervoso central influencia na determinação dos padrões do sono. Após essa idade, o sono passa a ser muito influenciado pelos fatores do ambiente. Circunstâncias especiais, como doença ou dormir numa cama diferente, podem afetar o padrão de sono da criança.

A partir dos quatro anos, alguns outros aspectos precisam ser avaliados caso o sono da criança não comece a se normalizar. É preciso afastar problemas orgânicos. O mais comum é obstrução das vias respiratórias superiores, como aumento das adenóides ou rinite alérgica. Afastadas as causas orgânicas, devemos dar atenção às causas emocionais ou alterações na rotina da criança: algum problema familiar, separação dos pais, chegada de um irmão, entrada na escola. Essas alterações podem levar as crianças a terem fantasias e pesadelos.

No processo de maturação do sono, a criança pode apresentar alguns distúrbios que podem preocupar os pais:

· Terror noturno : a criança acorda em pânico, confusa e, geralmente, aos prantos; não consegue acordar de fato e em minutos volta a dormir, sem se lembrar do ocorrido no dia seguinte. Costuma acontecer no primeiro terço da noite, com crianças entre quatro e sete anos de idade e tende a diminuir com o tempo;

· Sonambulismo: atinge 3% da população entre 3/19 anos. Tente proteger a criança de acidentes e levá-la de volta para cama, sem acordá-la;

· Enurese noturna : ou urinar na cama, na maioria das vezes, trata-se de falta de maturidade emocional e não deve ser encarado como problema. Os pais podem tentar minimizar a situação não tendo presa para a retirada da fralda noturna, oferecendo menos líquidos no período noturno, levando a criança para urinar antes de se deitar e ainda acordá-lo no meio da noite para isso. Sempre elogiá-la se acordar seca e não reemprendê-la se houver escape;

· Jactatio Capitis Nocturna : ou balanço repetitivo, bem mais raro, o bebê só consegue dormir balançando-se de um lado para o outro, é benigno e desaparece até os dois anos de idade.

Entre os problemas relacionados com sono, apenas 1% são de origem orgânicos e 2% de origem psicológica. A grande maioria está relacionada a hábitos errados na hora de dormir, ou seja, depende de como os pais conduzem essa rotina para que as crianças tenham um bom sono.

Mudanças no cotidiano podem trazer insegurança, como a entrada na escola, mudança de casa, porém não justifica a ida para o quarto dos pais, e sim, que esses lhe passem segurança e tranqüilidade para que fique no seu quarto. Em caso de perdas importantes, como morte ou separação de um dos pais, muitas vezes pode ser necessário ajuda profissional, se além de não conseguir dormir só, a criança apresentar distúrbios de apetite e mau rendimento escolar.

Levar a criança para cama do adulto pode aumentar o sentimento de angústia, principalmente se o pai ou mãe estiver tentando suprir a falta do outro. A criança não se sentirá tão afetada pela perda, se o adulto mantiver os mesmos hábitos de antes do acontecimento, e não projetar nela toda sua ansiedade.

Por medo, algumas crianças se recusam a dormir no escuro. Para os especialistas, luz apagada é a maneira mais adequada de relaxar, porém é preferível que a criança durma com a luz acesa a dormir na cama dos pais. É necessário que os pais investiguem as razões do medo do escuro e procurem desassociar o sono do medo.

A mãe tem a tendência de proteger o filho levando-o para sua cama. Isso pode prejudicar ao sono da criança no futuro ?

Um recém-nascido deve ser ensinado a dormir sozinho, da mesma forma como se ensina a comer. As crianças que aprendem a dormir têm menos problemas afetivos, de aprendizagem e de afetividade.

Há muitos estudos nesse sentido, principalmente americanos, pois lá nota-se um aumento da incidência do que eles passaram a chamar de "co-sleeping". Há dados que confirmam que, apesar de a criança parecer dormir melhor na cama dos pais, a arquitetura do sono fica prejudicada, isto é, a qualidade do sono é pior. É importante para o desenvolvimento psicológico da criança que tenham um quarto só para ela, porque dormir no quarto dos pais e partilhar a sua intimidade pode trazer um grande prejuízo psicológico na sua formação. Ao mesmo tempo, é importante que a criança tenha o seu espaço próprio na casa, que pode ser dividido com irmãos, mas nunca um dos pais ir dormir nesse quarto, “trocando” com o filho. O quarto da criança deve conter tudo o que lhe é íntimo, ser seu espaço reservado para ela aprender a enfrentar seus medos, frustrações e angústias. É necessário vivenciar esses sentimentos para que possa crescer com saúde e dentro de sua plenitude de autonomia psíquica.

Que tipo de alimentação favorece ou prejudica o sono da criança ?

Durante os primeiros meses, o aleitamento materno não tem hora. A partir dos seis meses, a criança já vai deixando de acordar toda hora. Alimentá-la para que adormeça pode até fazer com que fique obesa. Durante o período de sono, a atividade do aparelho digestivo se reduz acentuadamente. Desta forma, é aconselhável que haja um intervalo de pelo menos três horas entre o jantar e o sono da noite.

Os chás podem ter efeito estimulante, portanto podem prejudicar o sono. Este mesmo efeito também ocorre com a ingestão de coca-cola, guaraná e café. É importante que se ingira estes estimulantes, no máximo, até seis horas antes de adormecer.

Há um horário mais indicado para ir para a cama em cada idade? E o cochilo no meio do dia, é saudável ?

A regularidade do sono é fundamental para um sono sadio; desta maneira, devemos procurar manter sempre o mesmo horário de dormir e acordar. Durante o primeiro ano de vida está ocorrendo o amadurecimento do sistema nervoso. Por isso o sono dos pequenos tem um padrão próprio, que vai se modificando com o decorrer dos meses e anos.

Os recém-nascidos não sabem a diferença entre o dia e a noite. Geralmente comem e dormem durante todo o dia e noite. Nesta idade, eles dormem cerca de 16 a 19 horas no dia, durante duas a quatro horas seguidas e acordam para mamar. Com o tempo o bebê aprende a diferença entre dia e a noite, começa a dormir mais durante a noite e permanecer acordados mais tempo durante o dia.

Sendo que aos quatro meses, os bebês dormem de 9 a 11 horas por noite (intercaladas com mamadas) e tiram mais ou menos duas sonecas de duas a três horas durante o dia. A partir dessa idade, é importante que se comece a estabelecer uma rotina à hora de dormir, para que se acostumem a dormir no mesmo horário, sem traumas. Quase todos os bebês saudáveis de seis meses conseguem dormir a noite toda, se foram acostumados com a rotina. Porém por volta dos nove meses, a criança que já dormia a noite toda pode voltar a acordar durante a noite e sentir a separação da mãe, chamando-a. Cabe a ela acalmá-la e passar-lhe segurança e evitar o máximo de retirá-la do berço, pois essa fase vai passar. Eles ainda tiram duas sonecas nessa idade, pela manhã e à tarde, que duram de uma a duas horas.

Com um ano , as crianças estão muito preocupadas com as descobertas e com o mundo à sua volta, por isso começam a lutar para não dormir, mesmo estando com sono. Nesta fase é importantíssimo que já se tenha estabelecido uma rotina diária, pois irá ajudar a criança a se acalmar para dormir. Eles podem dormir de 10 a 11 horas por noite e tirar duas sonecas de uma a duas horas durante o dia.

Dos dois aos três anos, podem ocorrer brigas na hora de dormir. Eles necessitam de 10 a 13 horas de sono por dia, e as sonecas da tarde vão diminuindo. A partir daí, o sono noturno alonga-se progressivamente, de modo que a maior parte das crianças é capaz de dormir a noite inteira. Sendo excepcional que uma criança maior necessite dormir durante o dia.

Os adolescentes dormem de 9 a 10 horas por noite. Pode ocorrer sonolência durante o dia devido às atividades exercidas e por ocorrerem privação do sono necessário nesta idade.

Adultos jovens dormem em média 6,5 horas a 8,5 horas. Conforme a idade avança, as necessidades de horas de sono diminuem.O sono é uma forma de repormos nossa energia. Crianças também devem dormir oito horas diárias.

Qual a importância do sono na saúde da criança?É verdade ou mito que crianças crescem mais duando dormem mais ?

Crianças que apresentam problemas de respiração (por rinite ou aumento das adenóides), durante a noite, apresentam má qualidade do sono, com despertares freqüentes e acabam não descansando e repondo suas energias durante a noite. Essas crianças irão apresentar sinais dessa privação do sono durante o dia, que poderão se expressar por sonolência diurna, falta de atenção, levando a mau rendimento escolar ou hiperatividade. É necessário que esses problemas sejam diagnosticados por especialista, para poderem ser corrigidos e logo a criança restabelecer seu padrão se sono adequado.

Estudos recentes têm mostrado a associação da privação do sono, com a obesidade infantil. Quanto menos tempo dorme uma criança, maiores são as alterações de seu metabolismo, o que aumenta a obesidade, a resistência à insulina e o risco de diabetes e doenças cardiovasculares.

Devemos estar atentos se uma criança começa apresentar sono irregular, freqüente despertar noturno, agressividade e apatia, pois podem ser alguns dos sintomas de depressão.

A qualidade do sono na infância, principalmente nos três primeiros anos de vida, pode influenciar na memória e na capacidade de aprendizagem. O sono nessa etapa tem relação direta com a consolidação de funções orgânicas fundamentais. É a fase em que o cérebro, ainda em desenvolvimento, sofre aumento de nervos e de suas redes de comunicação.

#Pediatria

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