• Dra Cleonir M Lui Beck

Doenças de Primavera


Doenças:

O final do inverno e o início da primavera trazem uma série de doenças próprias dessa época, que, embora sejam mais comuns na infância, podem aparecer também em adolescentes e adultos. A incidência de sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora) aumenta nos meses de setembro a dezembro em nosso meio. São doenças altamente contagiosas, porém que, graças às vacinas atuais, podem ser facilmente prevenidas.

Crianças pequenas, até os 6 a 9 meses de idade, filhas de mães que já tiveram, ou são imunizadas para essas doenças, têm a proteção que adquiriram da mãe durante a gravidez (através de anticorpos maternos passados à criança pela placenta). A partir dessa idade, esses anticorpos começam a diminuir e a criança fica susceptível às doenças. Com um ano de idade, o bebê deve receber uma dose da vacina tríplice viral, que lhe trará proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Esta vacina está disponível na rede pública e deve ser aplicada uma segunda dose aos 15 meses de idade, para que se assegure cerca de 100% de proteção.

Sarampo:

O sarampo é uma doença transmissível e altamente contagiosa, que acometia de 2 a 3 milhões de crianças nos anos de epidemia na década de 70. É uma doença causada por vírus, que deixa a criança bem debilitada, com alto índice de complicações, como pneumonias, muitas vezes, graves e fatais. Houve uma redução significativa da doença a partir da implantação da vacina pelo governo, e, após terem sido adotadas medidas de prevenção, com campanhas para vacinação em massa da população.

Caxumba:

A caxumba é uma doença de causa viral, transmissível, de um indivíduo para o outro, através das vias aéreas. Caracteriza-se por inflamação das glândulas salivares parótidas, localizadas na região anterior às orelhas, provocando inchaço doloroso nessa região, geralmente dos dois lados. Aparentemente simples, porém, pode apresentar complicações, como: inflamação dos testículos e encefalite viral. Sua incidência também diminuiu muito com a instituição da vacina tríplice viral.

Rubéola:

A rubéola é uma doença viral, de curso benigno e brando, raramente apresenta complicações. Porém, altamente perigosa se adquirida por gestantes, até o terceiro mês de gravidez, pois apresenta alto risco do bebê nascer com a “Síndrome da Rubéola Congênita": risco de problemas graves no coração, sistema nervoso e olhos. Com a implantação da vacina tríplice viral e a realização de uma campanha de vacinação em massa, dirigida às mulheres em idade fértil em todo país, nos anos de 1998 a 2002, houve um decréscimo superior a 90% nos casos de rubéola e da “Síndrome da Rubéola Congênita”.

Varicela:

A Varicela ou Catapora como é mais conhecida, é uma doença altamente contagiosa, geralmente benigna, transmitida pelo vírus Varicela Zoster. É transmitida de pessoa para pessoa por contato direto com as lesões, ou por secreções eliminadas pelas vias respiratórias de pessoas contaminadas (tosse, espirros, etc). Outro modo de transmissão é através da placenta, durante a gestação (transmissão intra-uterina), nas gestantes que não estão imunizadas.

É caracterizada por sintomas iniciais de febre, dores pelo corpo e mal-estar geral, seguidos de aparecimento de lesões na pele, inicialmente como pápulas (bolinhas) avermelhadas, que adquirem conteúdo líquido (bolha) e, após um ou dois dias, estouram e se transformam em feridas cobertas por crostas, até secarem e caírem. Enquanto a pessoa tem lesões secando, estão surgindo outras em todo corpo, até dentro do pavilhão auricular (orelhas), boca e genitais. Essas lesões são altamente pruriginosas (coçam muito) e seu conteúdo é contagioso. Podem aparecer de 250 a 500 lesões em uma pessoa.

O período de incubação pode variar de 7 a 21 dias (período entre a pessoa ter se infectado e os sintomas aparecerem). A doença pode durar de 1 a 2 semanas, e, sua transmissão ocorre desde antes do aparecimento das primeiras lesões, até que seque a última bolha.

Apesar de ser benigna, na maioria das vezes, a catapora incomoda muito seu portador, o afasta de suas atividades habituais, principalmente da escola, devido ao risco de transmissão, e pior, existem alguns casos que se complicam.

Quando a enfermidade já está instalada, deve-se ter acompanhamento médico e evitar usar medicamento por conta própria. Se o doente usar o ácido acetil salicílico (AAS) pode ocorrer a chamada “Síndrome de Reye”, caracterizada por insuficiência hepática e coma.

Entre as complicações da catapora, a mais comum é a infecção das feridas da pele por bactérias, formando lesões com pus, que devem ser tratadas com antibióticos e podem acarretar nefrite (problemas nos rins).

Podemos ter pneumonia causada pelo próprio vírus, ou decorrente de uma infecção por bactéria, além de meningite ou encefalite causada pelo próprio vírus. Muitas vezes, levando o indivíduo à hospitalização.

As complicações são mais prováveis em portadores de imunodeficiências, em quem faz tratamento com imunossupressores (quimioterapia, radioterapia ou corticosteróides em grandes doses); gestantes; crianças com menos de um ano de idade e adultos.

A forma mais eficaz de se evitar a catapora é a vacina, que deve ser aplicada a partir de um ano de idade. Recomenda-se que adultos, que não tiveram a doença, também recebam a vacina, para evitar as complicações da doença.

A vacina para catapora agora faz parte do calendário básico vacinal brasileiro. Porém, é disponibilizada apenas 1 dose, aos 15 meses.

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatra recomendam que se aplique a vacina em crianças a partir de um ano de idade, com uma dose de reforço aos 15 meses. Pois, é considerada protegida a criança que tenha recebido duas doses da vacina após 1 ano de idade. Para adolescentes não vacinados, a partir dos 13 anos, deverão receber duas doses, com intervalo de quatro a oito semanas.

Como vimos, a varicela não é uma doença tão simples como alguns pensam. Por isso, é importante preveni-la, já que temos à disposição uma vacina bastante eficaz, que pode evitar todos esses transtornos.

É necessário ressaltar a importância da consulta a um pediatra sempre que a criança apresentar febre, acompanhada de mal estar e, principalmente, se houver alguma erupção na pele. Pois é fundamental que seja feito o diagnóstico diferencial entre estas e outras doenças, através do exame clínico e, às vezes com necessidade de exames complementares (laboratoriais). Só um especialista pode avaliar a intensidade e a gravidade de cada caso e orientar os cuidados necessários, as medidas e o tempo de isolamento.

Por isso também, a importância do acompanhamento rotineiro com o profissional, para que sempre sejam orientadas e checadas as aplicações de vacinas, quer do calendário oficial do governo, quer outras, que por motivos alheios à nossa vontade, não dispomos na rede oficial, mas que são tão importante quanto àquelas e que podem nos ajudar a prevenir doenças graves, quer no sentido individual, quer para a coletividade.

#Pediatria

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